Arte Mura Como Estratégia de Recuperação de Memória
Resumo
Este artigo analisa a arte do povo Mura como estratégia de recuperação da memória ancestral e resistência cultural, destacando sua presença histórica nos estados do Amazonas e Rondônia. A partir de fontes documentais, como o mapa etnográfico de Curt Nimuendajú (1944), e registros orais de anciãos, confronta-se a invisibilização da territorialidade Mura em Rondônia, frequentemente negligenciada por narrativas oficiais que reduzem sua presença ao Amazonas. A pesquisa evidencia como a produção artística contemporânea — grafismos, moda, literatura e performances — articula-se à memória coletiva, reafirmando identidades em contextos urbanos e rurais marcados por processos coloniais. No Amazonas, territórios demarcados como Autazes e Careiro da Várzea contrastam com a realidade de Rondônia, onde a ausência de reconhecimento oficial reflete sobreposições históricas do ciclo da borracha, transformando terras tradicionais em comunidades ribeirinhas e espaços urbanos.Destacam-se iniciativas como o Coletivo Mura de Porto Velho, que promove intervenções culturais — como a performance na Praça da Ferrovia Madeira-Mamoré (2017) — e lutas transfronteiriças, desafiando divisões estatais impostas. Artistas como Tuniel Mura, cujos grafismos dialogam com iconografias do século XVIII documentadas por Alexandre Rodrigues Ferreira, e Maira Belo Mura, que reinventa a moda indígena no Parque das Tribos, exemplificam a fusão entre tradição e inovação decolonial. Antorokay Mura, por sua vez, integra pinturas em madeira e performances sonoras, resgatando narrativas orais. A literatura de Márcia Mura /Tanãmak, Kayha Namãpura e Agabawé, assim como o espetáculo Pindorama (2020), que mescla balé clássico com danças tradicionais, revelam a arte como prática holística, intrínseca à cosmovisão Mura. Conclui-se que a arte Mura opera como dispositivo político, desafiando apagamentos históricos ao vincular passado e presente.Downloads
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